terça-feira, 18 de maio de 2010

Proposta para 24/05

TEMA: AUTO –AJUDA: SOLUÇÃO OU ILUSÃO?

Houve um tempo em que as listas de livros mais vendidos dividiam-se em duas categorias. Na primeira, estavam os livros de ficção: romances, novelas, coletâneas e contos. Na segunda os livros de não ficção: memórias, biografias, ensaios literários. Mas lá pelos anos 60. a lista de não ficção passou a exibir títulos bem diferentes. Eram manuais de auto conhecimento, dicas para um casamento mais feliz, fórmulas para que o leitor pudesse ser bem sucedido. Os editores dos suplementos e seções especializadas apavoravam.. Afinal, aquelas obras, vistas como um gênero menor, começaram a não deixar espaço nem para trabalhos de inegável qualidade literária. Assim, em 1983, o New York Times criou uma lista exclusiva para o que foi chamado de “livros de aconselhamento”.
De 2000 a 2004, o mercado americano desses livros cresceu 50%. No Brasil a cifra é ainda mais impressionante. Enquanto o mercado editorial cresceu 35% na última década, o filão de auto-ajuda acumulou impressionantes 700% de aumento.
O arrebatamento de leitores pelo mundo foi acompanhado por um proporcional aumento das críticas. Nenhum outro gênero literário sofre tantos bombardeios: os livros são chamados de pobres, superficiais e até de alienadores. Mas o que a demanda por eles diz sobre a sociedade em que vivemos? E é possível tirar algum proveito da ajuda oferecida por eles?

COMO TUDO COMEÇOU?
Uma das acusações formuladas contra o gênero de auto- ajuda diz que os livros criam pessoas alienadas, incapazes de tomar atitudes. Assim, não deixa de ser irônico que o pioneiro do gênero, o cara que inclusive cunhou o termo para o qual os literatos torcem o nariz hoje em dia, tenha sido o médico escocês Samuel Smiles. Smiles ( cujo sobrenome significa sorrisos em português, dando um tom ainda mais irônico à história) abandonou a medicina em 1830 para se tornar uma das figuras mais engajadas da política de sua época. Foi um dos principais defensores de ideais como o voto secreto e abolição da comprovação de renda para candidatos a cargos legislativos.

COMO RECONHECER UM?
Se você entrar em uma livraria, não vai ter grandes problemas em reconhecer os livros de auto-ajuda. Basta se dirigir a maior prateleira da loja. Mas talvez não seja tão fácil definir o que faz e o que não faz parte do gênero. A obra de Paulo Coelho, por exemplo, costuma receber a etiqueta. “É a temática esotérica que o aproxima do gênero de auto-ajuda. Mas não há dúvidas de que os livros de Paulo Coelho são romances, ou novelas” , diz o historiador gaúcho Mário Mestri, autor de Por Que Paulo Coelho Teve Tanto Sucesso.
Ao contrário dos títulos de Paulo Coelho, livros de auto-ajuda não são romances, mas ensaios: textos analíticos sobre um assunto específico. Eles se dirigem diretamente ao leitor, tratando-o de forma pessoal. Falam com “você”. Não é à toa que, em inglês, recebam a denominação “livros de aconselhamento”. O objetivo deles é servir ainda que temporariamente, com um amigo ou professor que sempre tem uma palavra de apoio na ponta da língua. Aliás, e apesar de não haver estudos específicos sobre reações cerebrais e livros de auto-ajuda, alguns psicanalistas acreditam que as mensagens contidas neles atuam no cérebro da mesma forma que uma conversa com pessoas em que confiamos: estimulam o lado direito do cérebro, responsável pelas emoções, e ativam a área responsável pelo prazer.
É para que esse “papo” tenha ainda mais efeito que os livros costumam usar letras grandes, tabelas e recapitulações. A idéia é facilitar o quanto puderem a leitura. Nesse sentido, outro trunfo do gênero são as metáforas. “Tudo o que você precisa é lapidar o diamante bruto que há dentro de você” é um exemplo de mensagem de alguns dos best sellers do gênero. Essas comparações podem ajudar o leitor a entender mais claramente algo que ele intuía ajudando-o a modificar comportamentos. Mas há quem diga que o uso recorrente deste artifício não passa de uma tentativa de maquiar idéias óbvias.
Outra característica típica é a promoção da idéia de que você é o único responsável por sua felicidade e pode se aprimorar confiando única e exclusivamente em seus poderes interiores. “ Quando as pessoas se voltam à cultura de auto-ajuda, elas estão apostando em sua invencibilidade – e negando a vulnerabilidade e fragilidade humana”, diz a socióloga Micki McGee, da Universidade de Nova York.

POR QUE TANTO SUCESSO?
A explicação mais recorrente é exatamente a promessa de que podemos, sim, driblar os sacrifícios, romper os paradigmas e sermos felizes. “ A burguesia, a classe social conduz a era moderna, acabou com o sofrimento e impôs a felicidade como regra”, escreveu o filósofo Pascal Bruckner em A Euforia Perpétua. Para Bruckner, essa obrigação nos coloca em condições ideais de consumir fórmulas milagrosas, entre elas todo tipo de auto-ajuda. “ Existe um arsenal de apetrechos que tenho chamado de felicidade automática”, escreveu Bruckner.
Além disso, a falta de rumo decorrente das mudanças comportamentais do século XX acabaram por deixar as pessoas cada vez mais carentes de um manual ( ou um guru ) que lhes explique o que fazer e como. Hoje, esses livros ocupam um lugar que, antigamente, as religiões ocupavam, diz a psicanalista Giselle Groeninga, diretora do instituto de Direito da Família.
Realmente tempos bicudos na economia ou política ou períodos de grandes mudanças de comportamento parece favorecer o consumo de livros de auto-ajuda. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro, a maior expansão no Brasil aconteceu na época do chamado do confisco do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Em 1994, 107 títulos venderam 410 mil exemplares no país, um recorde que ainda não foi batido.
Em 2001, uma pesquisa patrocinada por entidades do mercado editorial brasileiro sugeriu ainda uma outra explicação para o fenômeno. O típico leitor do gênero é um trabalhador assalariado, das classes B e C, que ganha entre 500 e 3 mil reais por mês. Ou seja, é alguém em busca de ascensão social.

ELES FUNCIONAM?
“ O que ganhamos em troca dos 8,5 bilhões de dólares que gastamos com auto-ajuda todos os anos?” Escreveu Steve Salerno na introdução do livro Sham. “ A resposta: não há como saber. Tanto dinheiro e tão poucos resultados documentados.” Realmente, é muito difícil fazer qualquer afirmação conclusiva sobre os benefícios de tantos livros, cursos e palestras, já que não há quase nenhum registro sobre o assunto. E um dos problemas é que isso acaba criando uma série de mitos. “ Algumas pessoas costumam dizer, por exemplo, que mulheres lêem mais auto-ajuda. Nas informações que revisei, eu não encontrei confirmação para esses dados”, diz McGee.
Os levantamentos de editoras sobre público –alvo mostram que o leitor que comprou um livro sobre como melhorar o casamento vai comprar todas as outras obras lançadas sobre o assunto. “ Esse dado me impressionou. Tudo bem que pessoas apaixonadas por animais de estimação leiam tudo sobre o assunto, mas no caso de auto-ajuda a coisa é diferente. O s livros prometem resolver o seu problema – ou ao menos aliviá-lo. As pessoas não deveriam precisar de mais e mais ajuda naquela área”, escreveu. A conclusão a que ele chegou é que os consumidores desses livros não aprendem com eles, apenas passam a viver num mundo de fantasia enquanto dura a leitura.
Já os autores recorrem a dois argumentos principais para provar a eficiência dos seus livros: o fato de que eles vendem muito (ou seja, satisfazem os leitores) e o fato de estarem no mercado há anos e conquistando cada vez mais espaço.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Proposta para 10/05

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sábado, 3 de abril de 2010

Proposta para 05/04

REDAÇÃO ENEM 2004
Leia com atenção os seguintes textos:


Os programas sensacionalistas do rádio e os programas policiais de final da tarde em televisão saciam curiosidades perversas e até mórbidas tirando sua matéria-prima do drama de cidadãos humildes que aparecem nas delegacias como suspeitos de pequenos crimes. Ali, são entrevistados por intimidação. As câmeras invadem barracos e cortiços, e gravam sem pedir licença a estupefação de famílias de baixíssima renda que não sabem direito o que se passa: um parente é suspeito de estupro, ou o vizinho acaba de ser preso por tráfico, ou o primo morreu no massacre de fim de semana no bar da esquina. A polícia chega atirando; a mídia chega filmando. Eugênio Bucci. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

Quem fiscaliza [a imprensa]? Trata-se de tema complexo porque remete para a questão da responsabilidade não só das empresas de comunicação como também dos jornalistas. Alguns países, como a Suécia e a Grã-Bretanha, vêm há anos tentando resolver o problema da responsabilidade do jornalismo por meio de mecanismos que incentivam a auto-regulação da mídia.
http://www.eticanatv.org.br

No Brasil, entre outras organizações, existe o Observatório da Imprensa – entidade civil, não-governamental e não-partidária –, que pretende acompanhar o desempenho da mídia brasileira. Em sua página eletrônica lê-se:
Os meios de comunicação de massa são majoritariamente produzidos por empresas privadas cujas decisões atendem legitimamente aos desígnios de seus acionistas ou representantes. Mas o produto jornalístico é, inquestionavelmente, um serviço público, com garantias e privilégios específicos previstos na Constituição Federal, o que pressupõe contrapartidas em deveres e responsabilidades sociais.
http://www.observatorio.ultimosegundo.ig.com.br (adaptado)
Acesso em 30/05/04.
Incisos do Artigo 5º da Constituição Federal de 1988:
IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

Com base nas idéias presentes nos textos acima, redija uma dissertação em prosa sobre o seguinte tema:

Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Proposta para o dia 29/03 (UFSCAR 2003)

UFSCAR/2003

As drogas preocupam os diversos segmentos da sociedade, quer seja pelos jovens cada vez mais cedo tomando parte do chamado “mundo das drogas”, quer seja pelo complexo sistema do narcotráfico, que tem desafiado, de forma acintosa, as autoridades.
Elabore uma dissertação em prosa, expondo seu ponto de vista sobre a seguinte questão:

As drogas devem ser liberadas?

Textos auxiliares:
1) Opiniões de leitores, enviadas ao “Fórum dos Leitores” do Jornal O Estado de S.Paulo, em janeiro de 2001.
– Descriminar e Legalizar – Ao invés de ficar pregando contra as drogas, porque não agimos de forma positiva? Todos sabemos que as drogas, nas suas mais variadas formas, são consumidas desde a Antigüidade.
Como remédios, como anestésicos, como entorpecentes, como forma de se divertir, como forma de se esquecer da vida desgraçada, etc. Portanto, sempre haverá seres humanos dispostos a consumi-las, sempre.
Na década de 20, os EUA tentaram proibir o consumo da mais famosa, o álcool. Deu no que deu. Tráfico, tiroteios, mortes. O consumo caiu? Não, só aumentou, tiveram de legalizar. Com a legalização, o governo passou a arrecadar – e como! – impostos com o consumo de álcool. A indústria de bebidas cresceu na legalidade, oferecendo empregos. As pessoas que consumiam
escondidas, sem saber de onde vinha o produto, passaram a ter direitos de consumidor, para poder reclamar do produto. Imaginam isso acontecer com a maconha e a cocaína, por exemplo? O governo poderia controlar a produção, taxar fortemente e arrecadar muito. Os consumidores estariam protegidos, pois haveria garantias do produto, o fabricante teria sua “marca” e tal, como as cervejas. E o melhor de tudo, milhares de vidas que se perdem hoje nos tiroteios entre traficantes e contra a polícia seriam preservadas. Na Europa os movimentos de descriminalização da maconha ganham força. Quando o Estadão, em seus Editoriais, vai apoiar tal medida? Só depois de atingirmos mais de um milhão de mortos, ou quando nos EUA tomarem esta medida e vocês se virem obrigados a copiar?
– É inegável que o uso sistemático de drogas leva à degradação física, psíquica e moral os indivíduos, fato que se constitui em um desafio a ser vencido pela sociedade como um todo, a começar na órbita familiar, onde os pais devem orientar os filhos, perceber suas reações, identificar alterações de comportamento, impedindo, sobretudo, que se viciem.
Se, de um lado, as escolas têm, também, papel fundamental, com vista à orientação dos jovens, assim como a polícia deve estar suficientemente aparelhada, ensejando a que haja maior eficiência no combate ao tráfico, de outro, cabe igualmente aos médicos e sistemas de saúde, numa ação multidisciplinar, grande responsabilidade, tanto na orientação preventiva, quanto
na recuperação dos viciados.
Está claro, todavia, que com tal iniqüidade não se pode conviver, diante de uma atitude omissa e irresponsável do poder público, cujo problema tem imposto fragorosa derrota a todas as nações, consoante o Programa das Nações Unidas para o Controle de Drogas revela que o tráfico movimenta cerca de 400 bilhões por ano, o equivalente a 8% das exportações mundiais, de sorte que a batalha contra os entorpecentes seja travada junto a seu elo que se reputa mais frágil e exposto: os pré-falados viciados.
2) Veja, 14 de novembro de 2001.
Felipe é um dentista de 53 anos. Como tantos outros de sua geração, começou a fumar maconha nos anos 60, quando a erva fazia parte do pacote básico dos jovens que queriam “contestar o sistema” ou apenas “curtir numa boa” (...). Felipe acendia baseados escondido dos pais. Depois de adulto e casado, continuou a fumar os cigarrinhos enrolados em papel de seda, mas sem ocultar o hábito de seus dois meninos. Hoje, a maconha é um item menos presente no cardápio de Felipe. Mas se tornou algo a ser compartilhado com os filhos. No mês passado, ele e Lúcio, o primogênito
de 26 anos, introduziram o caçula de 16 na rodinha de fumo caseira. Nessas ocasiões, ficamos alegres, rimos bastante, diz Felipe.
O fenômeno do baseado em família já apresenta proporções suficientes para chamar a atenção dos especialistas no tratamento de dependentes químicos.
(...)
Para esses pais, fumar maconha é uma experiência inócua (inofensiva), que serve inclusive para estreitar laços.
É uma visão equivocada. Assim como o álcool e o tabaco, a maconha faz mal, sim, à saúde. Com um agravante: é droga ilegal. Esse fato, no caso do “baseado em família”, tem implicações maiores do que a pena criminal. Uma das funções dos pais é inculcar nos filhos a obediência a eterminados códigos. Em muitos pontos, as figuras paterna e materna encarnam as próprias regras sociais, o que é essencial não só para a educação, como para a formação da personalidade da criança e do jovem. (...) Os especialistas são unânimes: se um adulto é usuário de maconha (ou de qualquer
outra droga), que a utilize longe da vista de seus filhos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

UNICAMP 1996

No dia 13 de janeiro de 1996, uma jovem estudante, ao entrar em um ônibus urbano, percebe que alguém havia esquecido um livro sobre o banco. Era um livro de poesias de Ezra Pound. Curiosa, começa a folheá-lo e percebe que um dos poemas estava marcado:
Despedindo-se de um amigo

Montes azuis ao norte das muralhas,
Rio branco serpenteando em torno deles;
É aqui que devemos separar-nos
E prosseguir por milhares e milhares de léguas
De capim morto.

A mente é ampla nuvem flutuante,
O crepúsculo é a despedida de velhas amizades
Curvadas sobre mãos dadas na distância
Nossos cavalos rincham, um ao outro,
enquanto nos separamos.
RIHAKU

Impressionada com o poema, começa a se interessar pelo dono do livro. Ao virar as páginas, encontra este bilhete:
São Paulo, 13 de janeiro de 1996
Meu amigo
Também estou preocupado há tempo com suas reações. É bem verdade que seus problemas são muitos, e graves,mas sua morte certamente não é a melhor solução. Entendo que você esteja cansado mas ainda há vínculos que o prendem à vida: pense nas mulheres que o amaram e naquela que ainda o ama. Pense nos seus amigos e na falta que você fará a eles - e principalmente a mim.

Pelo amor de Deus, não se precipite. Venha conversar comigo hoje, às quatro horas, em minha casa.
Fausto

Tendo lido o poema e o bilhete, a jovem estudante começa a imaginar: quem teria esquecido o livro? quem seria o autor do bilhete? quais seriam os problemas a que o bilhete se refere? teriam relação com as passagens sublinhadas no poema? teria o bilhete chegado às mãos do destinatário? teria surtido algum efeito? há alguma coisa que eu possa fazer?
Redija uma narrativa contando o que a estudante pensa e faz a partir desse momento.

INSTRUÇÕES:
Sua narrativa deverá ser em 1a pessoa. O narrador deverá ser obrigatoriamente a jovem estudante. É preciso construir duas personagens - os dois amigos - utilizando elementos do bilhete e do poema. Se achar necessário, você pode construir outras personagens.